Eu tinha 12 anos. O computador era remendado, a parede atrás de mim era de bloco sem reboco e, quando chovia, a gente colocava um balde do lado da mesa. Daquele quarto saiu um dos sites mais visitados do Brasil.
O Blogspot derrubou, então eu aprendi PHP, MySQL e SEO porque não existia outro jeito de manter aquilo vivo. Aquele site pagou a minha faculdade. E decidiu o que eu ia fazer pelo resto da vida.
Aos 16 eu já escrevia software para empresas brasileiras. Alguns anos depois decidi que queria receber em dólar, o que soava arrogante na época e na prática significou sentar em cem entrevistas até alguém dizer sim. Depois veio a Europa, depois o Reino Unido, depois 31 países com um notebook e um prazo.
Aos 27 chegou uma proposta de Abu Dhabi. Todo mundo disse que era loucura. Carreira estável, esposa, amigos, família, uma vida que funcionava. Fui assim mesmo. Nos três primeiros meses eu me senti a pior pessoa da sala: sotaques diferentes, culturas diferentes, nada implícito, nenhum atalho compartilhado. Competência era o ingresso de entrada, não a vantagem. Comunicação era o trabalho.
Foi ali que eu aprendi a coisa que realmente mudou a minha carreira, e não foi Kubernetes, nem banco de dados, nem cloud. Foi saber contar história. Conseguir explicar o que eu tinha construído, e por que aquilo importava, para alguém que não dividia o meu contexto. Isso me deu o convite. Depois ajudou a levantar dinheiro para uma startup que eu cofundei.
Então eu comecei a escrever em público. Sem anúncio, sem alcance comprado, sem grupinho de engajamento. Só aparecendo toda semana com alguma coisa verdadeira. 33.449 pessoas depois, as portas que abriram não eram as que estavam no meu currículo.
Hoje eu sou Founder e CTO. Continuo escrevendo toda semana, gravo o Café com o Dev com um café na mão e sem roteiro, faço mentoria com engenheiros que querem a vaga, palestro e escrevo para algumas pessoas cuja entrega merece uma audiência que elas não têm tempo de construir.
